Enquanto Professora Dorinha promete dar continuidade à gestão Wanderlei Barbosa, cena de paciente acorrentada dentro do HGP levanta questionamentos sobre o futuro da saúde pública no Tocantins
Uma imagem que deveria constranger qualquer gestor público voltou a colocar a saúde do Tocantins no centro do debate político.
Uma paciente se acorrentou dentro do Hospital Geral de Palmas (HGP) para cobrar a realização de um procedimento médico. Segundo o relato divulgado, ela passou por uma cirurgia, ficou com uma bolsa de colostomia, apresenta complicações e aguarda uma nova intervenção.
O caso é grave por si só. Mas ganha ainda mais peso em um momento em que o grupo político do governador Wanderlei Barbosa prepara sua sucessão.
A senadora Professora Dorinha, candidata ao Governo do Tocantins com o apoio de Wanderlei Barbosa, tem repetido que pretende dar continuidade ao trabalho realizado pela atual gestão. Na convenção que oficializou sua candidatura, Dorinha afirmou que tem consciência da responsabilidade de dar sequência à gestão de Wanderlei, defendendo continuidade com aprimoramentos.
E é justamente aí que surge uma pergunta inevitável:
Essa é a continuidade que está sendo prometida ao povo do Tocantins?
Uma continuidade em que uma paciente, diante da demora para conseguir uma solução para seu problema de saúde, precisa chegar ao extremo de se acorrentar dentro de um hospital público para chamar a atenção das autoridades?
A pergunta é política, mas também é humana.
Não se pode transformar o sofrimento de uma paciente em instrumento eleitoral. Mas também não é possível ignorar a dimensão política de um episódio que acontece dentro de uma unidade hospitalar administrada pelo Governo do Estado justamente quando a principal candidata do grupo governista apresenta sua candidatura como continuidade da atual gestão.
Se é para continuar, é preciso dizer o que será continuado.
Serão continuadas as filas?
Serão continuadas as dificuldades para conseguir procedimentos?
Será preciso continuar chegando ao desespero para ser ouvido?
Ou a promessa de continuidade significa corrigir aquilo que não está funcionando?
É justamente essa resposta que a população precisa ouvir.
Wanderlei Barbosa, como governador, precisa explicar o que aconteceu e cobrar uma solução para o caso. E Dorinha, como candidata apoiada pelo governador e que apresenta sua candidatura como continuidade, também precisa dizer claramente o que pretende fazer para que situações como essa não se repitam.
Porque não basta falar em continuidade, crescimento e avanços.
Quem está esperando atendimento quer saber se o próximo governo vai continuar os discursos ou vai mudar aquilo que precisa ser mudado.
Uma paciente acorrentada dentro do HGP é uma imagem forte demais para ser ignorada. É o tipo de cena que ultrapassa a disputa entre grupos políticos e chega diretamente à vida de quem depende do serviço público.
E a pergunta fica para a candidata do grupo governista:
Professora Dorinha, essa é a continuidade que o governador Wanderlei Barbosa está oferecendo ao Tocantins?





