Marco Antônio Gama
Especial para a CCT
Os candidatos Ataídes Oliveira (Novo), Witer Naves (Psol), Du Pereira (DC) e subtenente Luiz Carlos (Democrata) aproveitaram o debate entre os postulantes ao governo do Tocantins, promovido pela Fieto e TV Jovem Record, nesta quinta-feira, 27, para buscar espaço em uma disputa concentrada principalmente nos nomes com maior estrutura política e eleitoral.
Com estratégias diferentes, os quatro tentaram se apresentar como alternativas aos grupos tradicionais. Ataídes adotou o discurso mais duro contra a classe política; Du Pereira apostou na renovação e na experiência empresarial; Witer concentrou parte das propostas no desenvolvimento econômico e geração de empregos; e o subtenente Luiz Carlos usou sua trajetória de 36 anos na Polícia Militar para falar principalmente de segurança, além de criticar impostos e a relação do Estado com empresários.
‘VOTO DE PROTESTO’
Logo na apresentação, Luiz Carlos adotou um discurso diferente dos adversários ao reconhecer limitações e se colocar abertamente como uma candidatura de protesto. “Eu não sou político, não tenho boa oratória. […] Eu vim aqui como um voto de protesto, um voto de mudança. Se o povo tocantinense estiver insatisfeito, eu estou aqui. É uma opção a mais”, declarou. O candidato também informou ter 57 anos, ser natural de Araguaína e possuir 36 anos de atuação na Polícia Militar.

ATAÍDES FAZ DA CRÍTICA À POLÍTICA TRADICIONAL SUA PRINCIPAL BANDEIRA
Ataídes Oliveira manteve uma das posturas mais contundentes do debate. Em diferentes momentos, associou problemas do Tocantins ao que classificou como corrupção, favores políticos e má gestão.
Ao questionar Du Pereira, perguntou se seria possível melhorar educação, saúde, segurança, estradas e industrialização sem enfrentar essas práticas. Du respondeu defendendo renovação política e aproveitou para provocar dois dos adversários de maior projeção. “Vicentinho e Dorinha ficam ali um jogando para o outro. Vamos pro Jalapão refrescar a cabeça. Deixa o povo, as pessoas novas do nosso Estado, renovar essa política”, disparou Du.
Ataídes concordou com a crítica e aumentou o tom: “Eles são iguais. Eles não vão mudar mais. Todos estão juntos. Na hora que sair daqui, eu tenho certeza que eles podem se abraçar lá fora”. Para ele, o próximo governador precisa ter “vontade”, “competência”, independência econômica e política e, “acima de tudo, coragem”.
Na educação, Ataídes defendeu concursos públicos, valorização e capacitação de professores e redução da dependência de contratos temporários. O candidato relacionou parte das contratações existentes ao que considera uso político da máquina estadual.

WITER QUESTIONA CRESCIMENTO SEM GERAÇÃO DE EMPREGOS
Professor Witer Naves buscou construir uma participação mais técnica, especialmente ao relacionar desenvolvimento econômico, industrialização e mercado de trabalho. Em confronto com Dorinha, questionou como propostas de neoindustrialização, agregação de valor, polos industriais, financiamento e inovação tecnológica poderiam efetivamente resultar em mais investimentos e empregos no Tocantins.
Ao longo do debate, Witer também chamou atenção para a necessidade de conciliar crescimento econômico com geração de oportunidades e qualificação da mão de obra. Nas considerações finais, defendeu políticas de fomento e formação profissional, colocando a atividade econômica como instrumento para ampliar renda e sustentar políticas públicas.
“Eu vim para ser protagonista e não para brincar”, afirmou, ao defender que sua candidatura possui propostas para o desenvolvimento econômico e qualificação dos tocantinenses.

DU PEREIRA MIRA DORINHA E VICENTINHO E DEFENDE “GENTE NOVA”
Du Pereira procurou explorar a condição de empresário e candidato com menor estrutura eleitoral para sustentar um discurso de renovação. Morador da região sul de Palmas, afirmou que pretende avançar na industrialização do Estado e destacou, inclusive, a diferença de exposição entre sua candidatura e as campanhas maiores.
“Não tenho tempo de TV, tô aqui. Quero agradecer à Record também, à TV Jovem, pelo espaço. Aqui é um espaço onde eu não vou ter aí na TV”, afirmou.
Na educação, apresentou o projeto “Professor Nota 10 e Aluno Nota 10”, que prevê avaliações e reconhecimento aos profissionais com melhor desempenho. Foi durante essa resposta que protagonizou a provocação a Dorinha e Vicentinho e pediu que o eleitor permita a entrada de “gente nova no poder”.
Du também apresentou a proposta da “Central 60 Mais”, voltada à população idosa, e colocou a redução do custo da energia entre as prioridades de uma eventual gestão.

LUIZ CARLOS MIRA AUSÊNCIA DE POLICIAIS E PRESENÇA DE FACÇÕES NO INTERIOR
A experiência policial apareceu com mais força quando Luiz Carlos questionou Du Pereira sobre o combate às drogas. Após ouvir a resposta do adversário, o Subtenente utilizou a réplica para chamar atenção para a falta de efetivo policial em municípios do interior. “Eu tenho 36 anos de serviço na Polícia Militar. Tem uma coisa que me chama muita atenção: tem mais de 30 cidades, muito mais, que não têm a presença da Polícia Militar e nem da Polícia Civil, mas têm presença das facções e das drogas. Isso é um absurdo”, declarou.
O candidato ainda criticou promessas feitas ao longo de sucessivas eleições. “Os políticos prometem, prometem, prometem e não vão cumprir”, afirmou.
Questionado por Laurez Moreira sobre segurança jurídica e estabilidade política, Luiz Carlos também relacionou corrupção e precariedade dos serviços públicos. Ao recordar que um irmão morreu após atendimento no Hospital Regional de Araguaína, defendeu reforço dos mecanismos de combate à corrupção e chegou a propor concurso para 300 delegados.
“POLÍTICOS FALAM MUITO BONITO E VENDEM ILUSÃO”
O candidato também endureceu o discurso quando recebeu uma pergunta da Fieto sobre industrialização e agregação de valor à produção tocantinense. Em vez de apresentar apenas incentivos específicos ao setor, Luiz Carlos argumentou que a elevada tributação e a pressão sobre empresários afastam investimentos.
“Os empresários conseguiram pouca coisa nas eleições passadas, porque os políticos falam muito bonito e vendem ilusão”, afirmou.
Na sequência, defendeu redução de impostos e maior abertura do governo ao setor produtivo. “Se não baixar o imposto, se não abrir as portas do Palácio para os empresários, as indústrias não vêm para cá”, disse. Segundo Luiz Carlos, empresas estariam deixando o Tocantins diante dos custos e da pressão tributária.
INDEPENDÊNCIA E RENOVAÇÃO
Apesar das diferenças entre os quatro, o debate mostrou uma estratégia comum: tentar transformar a menor estrutura eleitoral em argumento de independência e renovação. Witer apostou em desenvolvimento, emprego e qualificação; Du Pereira explorou a condição de empresário e cobrou espaço para novos nomes; Ataídes concentrou fogo contra corrupção, favorecimento político e os grupos tradicionais; enquanto Luiz Carlos assumiu a candidatura como “voto de protesto”, apoiando-se principalmente na experiência policial e nas críticas à segurança pública, aos impostos e à relação do Estado com o setor produtivo.





