Marco Antônio Gama
Especial para a CCT
O último debate televisionado antes do primeiro turno colocou Dorinha Seabra (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD) e Witer Naves (PSOL) frente a frente na noite dessa terça-feira, 29, nos estúdios da TV Anhanguera, em Palmas. Ao longo de quatro blocos, os candidatos discutiram segurança pública, saúde, funcionalismo, gestão, transparência, infraestrutura, agronegócio e desenvolvimento econômico, alternando propostas com cobranças sobre a trajetória dos adversários.
Realizado a poucos dias da votação de 4 de outubro, o encontro também consolidou estratégias já observadas durante a campanha: Dorinha defendeu continuidade com mudanças em áreas que considera necessárias; Vicentinho manteve a atual administração como principal alvo; Laurez voltou a apresentar experiência executiva como diferencial; e Witer procurou se colocar fora da disputa entre os grupos políticos de maior estrutura.
Laurez questiona experiência de Vicentinho e deputado reage

Um dos confrontos mais diretos ocorreu ainda no primeiro bloco. Laurez questionou as mudanças nos projetos eleitorais de Vicentinho e colocou em dúvida a experiência administrativa do tucano.
“Você nunca administrou uma empresa, nunca administrou uma cidade, nunca administrou nada que venha me convencer que possa fazer um bom governo no estado do Tocantins”, afirmou Laurez. Em seguida, acrescentou que o Estado “não pode ser para experimento” e defendeu experiência administrativa para ocupar o Palácio Araguaia.
Vicentinho rebateu lembrando os três mandatos de deputado federal e sua experiência anterior na iniciativa privada. O tucano argumentou que conhecimento sobre gestão não estaria restrito ao exercício de cargos no Executivo e voltou a apresentar sua candidatura como uma mudança em relação ao modelo atual.
Em outro momento, Laurez levou ao debate uma cobrança sobre R$ 20 milhões em recursos federais destinados, em 2020, a municípios da Bahia e do Ceará por solicitação de Vicentinho. O deputado havia afirmado que os recursos de sua atuação parlamentar “sempre ficaram” no Tocantins, e Laurez contestou a declaração.
O confronto reforçou uma linha utilizada pelo candidato do PSD nas últimas semanas: apresentar sua passagem por Gurupi e por cargos executivos como credencial de gestão. No debate, também retomou propostas como a construção de 30 mil moradias populares, recuperação e pavimentação de 2 mil quilômetros de rodovias e maior integração logística com a Ferrovia Norte-Sul.
Vicentinho volta a mirar continuidade e Dorinha responde

Vicentinho voltou a utilizar a relação de Dorinha com o atual governo como eixo de confronto. Ao discutir segurança pública, mencionou investigações e operações envolvendo a administração estadual e questionou como a adversária pretende garantir independência aos órgãos de controle diante da estrutura política que apoia sua candidatura.
Dorinha reagiu buscando separar sua trajetória pessoal dos aliados políticos. “Eu respondo pela minha história, pelo meu jeito de governar. É isto que eu vou fazer”, declarou.
A troca reproduziu uma disputa de narrativas presente em outros debates: Vicentinho procura vincular Dorinha diretamente à atual gestão, enquanto a candidata reconhece a aliança, mas sustenta que pretende preservar ações que considera positivas e modificar áreas com problemas.
Na segurança, os dois também convergiram em parte das propostas voltadas à proteção das mulheres. Dorinha falou em fortalecimento das delegacias especializadas, Patrulha Maria da Penha, tornozeleiras eletrônicas e integração das forças de segurança. Vicentinho voltou a defender Delegacias da Mulher funcionando 24 horas nas diferentes regiões do Estado.

Servidor público ganha espaço no debate
O funcionalismo estadual também ocupou espaço relevante. Witer escolheu Dorinha para tratar de progressões, planos de carreira e valorização dos servidores. A candidata assumiu compromisso com a manutenção da jornada de seis horas, cumprimento da data-base e atualização dos planos de cargos, carreiras e salários.
Dorinha ainda propôs ampliar o acesso ao Servir para servidores nomeados e contratados. “O servidor nomeado e o contratado também têm o mesmo direito ao Servir, porque desempenham o mesmo trabalho”, afirmou.
Laurez também voltou ao histórico da candidata na Educação e questionou decisões tomadas durante sua passagem pela Secretaria de Estado da Educação. Dorinha respondeu citando medidas adotadas para professores aposentados e normalistas, além de formação profissional, concursos e qualificação.

Witer tenta ocupar espaço fora dos principais grupos
Professor Witer utilizou o debate para insistir na ideia de que sua candidatura representa um caminho diferente dos grupos que historicamente disputam o poder no Tocantins.
Ao longo dos blocos, cobrou Dorinha sobre servidores, perguntou a Laurez sobre a estrutura da saúde e questionou Vicentinho sobre atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Também foi questionado pelos adversários sobre assistência social, transparência e tecnologia.
A postura manteve uma característica já vista em debates anteriores: Witer evita se alinhar integralmente ao discurso de oposição de Vicentinho ou à defesa de continuidade de Dorinha e tenta apresentar sua candidatura como uma alternativa aos dois campos.
Propostas dividem espaço com reta final da campanha
Mesmo com os confrontos, o debate também abriu espaço para propostas. Vicentinho voltou a defender descentralização da saúde, escolas de tempo integral, centros tecnológicos e digitalização dos serviços públicos. Ao falar sobre a elaboração do plano de governo, afirmou que “não se pode trazer essa proposta pronta, já concebida como se servisse para todo o meu povo. Nós fomos ouvir as pessoas, escutá-las e entender”.
Dorinha apresentou compromissos com servidores, infraestrutura, crédito e redução da burocracia e voltou a defender continuidade acompanhada de mudanças. “O que estiver funcionando, vamos aprimorar, mas também vamos inovar”, declarou.
Laurez reforçou infraestrutura, habitação e parceria com o governo federal como eixos de sua candidatura. Witer concentrou parte das intervenções em transparência, saúde, servidores e reorganização administrativa.
Ataídes consegue liminar no TSE, vai à emissora e fica fora do debate
Do lado de fora dos estúdios, outro episódio acabou se tornando um dos destaques da noite. Ataídes Oliveira (Novo) não estava previsto na relação inicial de participantes porque a emissora adotou o critério de representação parlamentar previsto na legislação eleitoral. A situação foi judicializada e mudou poucas horas antes do debate.
No fim da tarde, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, concedeu tutela cautelar reconhecendo que o Novo cumpria o requisito mínimo de representação parlamentar e assegurando a participação dos candidatos da legenda nos debates, observadas as demais exigências legais. A decisão também determinou comunicação urgente às emissoras envolvidas.
Ataídes foi até a sede da TV Anhanguera, mas não conseguiu entrar no estúdio. Imagens divulgadas nas redes sociais e pela imprensa mostraram o candidato discutindo com seguranças na entrada da emissora enquanto o programa já estava sendo preparado com os quatro nomes anteriormente anunciados.
Em vídeos publicados posteriormente, o candidato afirmou que estava reivindicando um direito assegurado pela decisão judicial e dirigiu críticas duras à emissora e aos adversários. “Tem uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral dada pelo presidente do Tribunal, determinando que a TV Anhanguera tem que nos dar o direito de participar do debate. Eu sou um ex-senador, sou um advogado de 42 anos e estou aqui nessa porta sendo barrado pelos seguranças. Isto é lamentável”, declarou.





