Hoje, 25 de agosto, a cadeira número 34 da Academia de Letras de Dianópolis, minha terra natal, recebe o meu primogênito, Leonardo Luiz Ludovico Póvoa.
Eu, ocupante da cadeira número 12, embora não tenha podido estar presente fisicamente na solenidade, sinto-me profundamente presente através destas palavras, talvez porque, para quem vive de lembranças e de sentimentos, a distância nunca consegue separar aquilo que o coração aproxima.
Há momentos na vida em que o tempo parece fazer uma pausa para nos permitir contemplar o caminho percorrido. Hoje é um desses momentos.
Eu, que um dia cheguei naquela Academia trazendo comigo as lembranças, os sonhos e as palavras da terra onde nasci, vejo, agora, você atravessar a mesma porta, não para ocupar o meu lugar, mas para construir o seu próprio caminho entre aqueles que fazem da palavra uma forma de preservar a memória e iluminar o futuro de muitas gerações.
E isso me emociona profundamente.
Ele, meu filho, escolheu Palmas, a capital do nosso Estado do Tocantins, de cuja implementação desde a minha adolescência também participei da luta para sua concretização, para viver, trabalhar e construir sua história. E foi justamente ali, longe da pequena terra onde nasci, que encontrou na poesia e na literatura infantil uma maneira muito bonita de conversar com o mundo.
Ele escreve para as crianças.
E talvez não exista missão mais delicada do que essa: colocar palavras nas mãos de quem ainda está começando a descobrir o significado da vida; alimentar a imaginação de quem ainda consegue enxergar encantamento onde nós, adultos, muitas vezes já não o percebemos.
Hoje, ao vê-lo ingressar naquela Academia, sinto que alguma coisa muito bonita se completa.

Não se trata de uma herança de cadeira, a minha é a número 12 e a dele é a de número 34.
Trata-se, sim, de uma herança muito maior: a paixão pela palavra, o amor pela nossa terra e a crença de que a literatura é capaz de sobreviver ao tempo.
Você não chega naquela Academia como extensão de seu pai. Chega pelo seu próprio mérito, pela sua própria voz, pelos livros que escreveu e pelas histórias que ainda escreverá.
E é justamente por isso que o meu orgulho é ainda maior.
A vida nos ensina que os filhos não devem seguir necessariamente os mesmos caminhos dos pais. Devem encontrar os seus próprios caminhos. Mas há uma felicidade especial quando, depois de percorrê-los, eles acabam se encontrando com alguma coisa que também fez parte da nossa própria caminhada.
Hoje, a história do meu filho e a minha nossas se encontram naquela Academia de Letras. A minha, na cadeira 12. A dele começando agora, na cadeira 34. E entre uma e outra existe aquilo que realmente importa: o amor de pai, a memória da nossa terra e a palavra que, atravessando gerações, continua nos unindo. E se não bastasse, em mais um ato de sabedoria, escolhe como Patrono da sua cadeira, Péricles José Cândido Póvoa, seu tio e primogênito da minha abençoada família paterna.
Não pude estar naquele momento tão importante gostaria para abraçá-lo depois de sua posse. Como não posso fazê-lo, envio-lhe um abraço através destas palavras. Receba, portanto, não apenas os meus parabéns, mas também a minha bênção, o meu orgulho e a certeza de que, onde quer que eu esteja, haverá sempre um pai acompanhando com os olhos do coração cada página que você escrever.
Seja bem-vindo à Academia de Letras da minha terrinha natal.
Que a cadeira número 34 seja, para você, o começo de muitas outras páginas. E que a sua literatura continue fazendo aquilo que toda boa literatura deve fazer: guardar a memória, despertar sonhos e ensinar às crianças que o mundo pode ser ainda mais bonito quando visto através das palavras.
Com o orgulho e o amor de seu pai José Cândido e de consequência sua querida mãe Maria Júlia, seu irmão Leandro e Juliana e famílias.
“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”
JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado; membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis.
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