Marco Antônio Gama
Especial para a CCT
A convenção que oficializou Laurez Moreira (PSD) como candidato ao governo do Tocantins confirmou o coronel Silva Neto (PSD) na vaga de vice e Paulo Mourão (PSD) na disputa pelo Senado, mas deixou sem resposta uma das principais questões internas do grupo: o futuro político do senador Irajá Abreu (PSD).
CONVENÇÃO SEM IRAJÁ
Filiado ao mesmo PSD de Laurez e até então apontado como candidato à reeleição pela chapa, Irajá não participou do evento realizado na tarde desta terça-feira, 4, no auditório da Associação Tocantinense de Municípios (ATM), em Palmas. A ausência ocorre depois de semanas de ruídos internos sobre a ocupação da segunda vaga ao Senado.

DECISÃO SEGUE COM IRAJÁ
Na chegada à convenção, Laurez afirmou que continuará respeitando o acordo feito com o senador, mas deixou a decisão em suas mãos. “A vaga é dele. Sou homem de compromisso. Fiz o compromisso de que uma vaga era do Paulo Mourão e a outra dele. Na hora que quiser ser candidato, a vaga está garantida. Isso é ele que vai decidir”, declarou.
A manifestação preserva uma possibilidade de entendimento, mas mostra que o grupo chegou à convenção sem apresentar sua composição completa para o Senado. Mourão foi homologado, discursou e ocupou o palanque; Irajá, por sua vez, permaneceu fora do ato.
O episódio é mais um capítulo do embaraço iniciado após movimentações distintas dentro do próprio PSD sobre a composição da chapa. Sem se aprofundar no conflito, Laurez evitou falar em rompimento e afirmou que respeitará qualquer decisão do senador.
RELEMBRE
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PT EM POSIÇÃO DE DESTAQUE
Enquanto o PSD ainda administra a indefinição envolvendo Irajá, o PT ocupou espaço relevante na convenção. Paulo Mourão foi oficializado candidato ao Senado e o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, participou do evento, reforçando a ligação do palanque estadual com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na entrada, Mourão afirmou que o Tocantins precisa de um senador comprometido com políticas sociais, geração de emprego, agricultura familiar e desenvolvimento econômico. “O Tocantins precisa de um senador que ajude o presidente Lula a construir um Brasil mais solidário, mais justo e mais fraterno”, declarou.
ALINHAMENTO COM LULA E ALIANÇA COM LAUREZ
Em discurso, o petista criticou a corrupção, defendeu programas sociais do governo federal e relacionou sua candidatura ao alinhamento com Lula. Também abordou o crescimento dos casos de feminicídio e endureceu o discurso contra a violência doméstica. “Quem agride mulher não precisa votar no Paulo Mourão”, afirmou, depois de pedir o fim da violência contra as mulheres.
Mourão ainda apresentou a aliança com Laurez como uma união baseada na origem comum e em uma relação anterior à disputa eleitoral. Segundo o candidato ao Senado, o Tocantins precisa recuperar a confiança da população na política e combater práticas de compra de votos durante a campanha.

SERÃO QUATRO ANOS SEM POLÍCIA NA PORTA DO PALÁCIO
Laurez também procurou se apresentar como oposição ao atual comando do Estado, apesar de ocupar o cargo de vice-governador. Em uma das falas mais duras, prometeu um governo de estabilidade e afirmou que o Tocantins terá quatro anos “sem Polícia Federal na porta do Palácio”. Ele disse ainda que pretende retirar o Estado das “páginas policiais” e colocá-lo nas páginas da economia e da prosperidade. A estratégia, entretanto, deverá ser confrontada pelos adversários com sua participação formal na atual gestão estadual.
O candidato também prometeu investimentos em segurança, saúde, educação, infraestrutura, industrialização, turismo, agricultura e habitação popular, além de parceria com o governo federal.
EXPERIÊNCIA MILITAR VAI CONTRIBUIR
Homologado candidato a vice-governador, o coronel Silva Neto afirmou que decidiu entrar na política para aplicar na administração pública a experiência acumulada em quase 30 anos na Polícia Militar. “Não estou entrando na política por cargos, por vaidade ou por interesse pessoal. Estou entrando porque sei que posso servir ao Tocantins”, declarou.
Segundo o militar, a experiência construída nos quartéis deve contribuir com um projeto voltado à segurança, à gestão e ao atendimento da população. Silva Neto também justificou a escolha de caminhar com Laurez pela trajetória administrativa e política do candidato.





