Marco Antônio Gama
Especial para a CCT

O primeiro confronto televisivo previsto entre Vicentinho Júnior (PSDB) e Dorinha Seabra (União Brasil) neste 2º turno acabou não ocorrendo. Apenas o tucano apareceu no debate da noite desta quinta-feira 15, promovido pela Record, Rede Hits FM, Avecom e Farcom.
O debate da Record News estava marcado para as 19 horas e havia sido organizado para receber os dois postulantes. Segundo a campanha de Dorinha, porém, a candidata já havia assumido anteriormente o compromisso com a TV Anhanguera, marcado para as 19h05. A assessoria afirmou que tentou negociar mudança de horário ou data com a Record News, mas a alteração não pôde ser compatibilizada com a programação nacional da emissora.
Na abertura, a Record apresentou também sua versão do impasse: informou que o convite e o regulamento haviam sido encaminhados às campanhas em 7 de outubro e que a comunicação formal da impossibilidade de participação de Dorinha chegou às 17h46 de quarta-feira, 14. A emissora manteve o púlpito destinado à candidata e adaptou as regras para que Vicentinho respondesse sozinho às perguntas originalmente previstas para o confronto.
O episódio ocorre em uma campanha bastante apertada. Dorinha terminou o primeiro turno com 45,52% dos votos válidos, e Vicentinho com 43,94%. A diferença foi de 13.412 votos. Desde então, os dois grupos vêm acumulando novas adesões e reorganizando as bases políticas para a votação de 25 de outubro.
Vicentinho usa ausência para confrontar gestão e concentra discurso em saúde, segurança e corrupção

Sem a adversária no estúdio, Vicentinho procurou evitar que o programa se transformasse apenas em exposição de propostas e utilizou o púlpito vazio para dirigir questionamentos diretamente a Dorinha e, principalmente, ao governo estadual que apoia a candidatura dela.
Logo no primeiro bloco, colocou a saúde no centro do discurso. “Se não posso debater com ela, eu vou debater hoje é com os problemas do nosso estado do Tocantins”, afirmou antes de questionar se a situação dos hospitais teria mudado entre o primeiro e o segundo turno.
Vicentinho voltou a defender a descentralização do atendimento, fortalecimento de hospitais de pequeno porte, conclusão dos hospitais de Gurupi e Araguaína, início da unidade de Porto Nacional e reforma do Hospital Geral de Palmas. Também reiterou a proposta de um mutirão de cirurgias utilizando tanto a rede pública quanto hospitais privados.
Concursos a cada dois anos e manutenção das seis horas

Outro compromisso apresentado foi a realização mais frequente de concursos públicos. Vicentinho defendeu reduzir para dois anos o intervalo utilizado como referência para reposição de servidores e citou Quadro Geral, Polícia Civil, Polícia Militar, Saúde e Educação.
Também respondeu a uma narrativa que, segundo ele, circula na campanha adversária sobre eventual mudança na jornada dos servidores. “Direitos adquiridos, direitos respeitados”, afirmou, garantindo que pretende manter a jornada de seis horas.
Na segurança, voltou a explorar os números de feminicídio e prometeu delegacias especializadas de atendimento à mulher funcionando 24 horas nas oito regiões do Estado. Também apresentou a proposta de auxílio equivalente a um salário mínimo, por período determinado, para mulheres que precisem deixar a residência após episódios de violência.
Ataque mais direto na corrupção
Foi no bloco sobre transparência e corrupção que o tucano fez o ataque mais direto à adversária. Vicentinho recuperou acusações feitas contra ele ao longo da campanha e repetiu o desafio lançado no primeiro turno: “Mostre-me uma condenação minha ou um indiciamento que eu renuncio à minha candidatura”.
Depois, procurou associar Dorinha ao grupo governista e disse que ela precisaria responder por episódios questionados durante a atual administração. Também retomou o caso dos medicamentos vencidos e prometeu autonomia aos órgãos de investigação caso seja eleito.





