A divulgação de dois levantamentos eleitorais recentes para o governo do Tocantins expôs um forte contraste no cenário de intenção de voto no estado: enquanto a pesquisa Quaest aponta a senadora Professora Dorinha (União Brasil) isolada na liderança com 37% das intenções de voto contra 28% do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), o instituto Paraná Pesquisas aponta um cenário de empate técnico rigoroso entre os dois concorrentes, com Dorinha registrando 34,4% e Vicentinho 33,5%. A divergência nos resultados reflete diferenças no período de campo, na abrangência das amostras e nos métodos aplicados por cada empresa de sondagem.
O contraste entre a vantagem folgada e o equilíbrio absoluto
A discrepância nos números altera de forma significativa a leitura sobre o favoritismo na disputa pelo Palácio Araguaia. No levantamento mais recente, contratado pela TV Anhanguera e realizado pela Quaest entre 21 e 24 de agosto, Professora Dorinha atinge uma vantagem de 9 pontos percentuais sobre Vicentinho Júnior na pesquisa estimulada (37% contra 28%). O candidato Laurez Moreira (PSD) aparece na terceira posição com 7%, seguido por Ataídes Oliveira (Novo) com 3% e Subtenente Luiz Carlos (Democrata) com 2%.
Em contrapartida, os dados divulgados pelo instituto Paraná Pesquisas, divulgada há exatos 30 dias, em 25 de julho, mostravam uma disputa em aberto. No levantamento estimulado, Dorinha somou 34,4% ante 33,5% de Vicentinho Júnior — uma distância de apenas 0,9 ponto percentual, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Laurez Moreira registra 10,1% e Ataídes Oliveira tem 5,8%.
O que ocorreu da lá para cá de tão significativo para alteração tão brusca no resultado?
Fatores metodológicos e prazos de coleta
A diferença observada entre as levantamentos decorre de fatores técnicos e temporais inerentes às pesquisas de opinião pública:
- Janela temporal: A amostragem do Paraná Pesquisas realizou entrevistas em um momento anterior da pré-campanha (final de julho de 2026), capturando a percepção do eleitorado antes do afunilamento de alianças promovido no mês de agosto, período em que os dados da Quaest foram colhidos.
- Tamanho e dispersão da amostra: A Quaest entrevistou 804 eleitores no estado, operando com uma margem de erro de 3,0 pontos percentuais. Já o levantamento do Paraná Pesquisas trabalhou com um universo amostral de 1.300 entrevistados espalhados por dezenas de municípios tocantinenses, resultando em uma margem de erro menor, de 2,8 pontos percentuais.
- Composição de indecisos e brancos/nulos: Na Quaest, o percentual de eleitores indecisos e que votam em branco ou nulo soma 23% (16% indecisos e 7% brancos/nulos). Na sondagem do Paraná Pesquisas, esses dois grupos totalizam 15,5% (6,1% não souberam/não opinaram e 9,4% brancos/nulos/nenhum), demonstrando variações na abordagem de abordagem e filtragem de respostas do eleitorado.
Projeções de segundo turno e rejeição
A oscilação nos dados também transparece nas simulações de segundo turno. Nos cenários diretos testados pela Quaest, Professora Dorinha mantém uma frente confortável sobre Vicentinho Júnior, vencendo por 46% a 38%. O Paraná Pesquisas indica uma disputa invertida e acirrada em caso de segundo turno, registrando 44,1% para Vicentinho contra 42,5% para Dorinha.
Em relação ao índice de rejeição (“conhece e não votaria de jeito nenhum”), ambas as pesquisas convergem ao posicionar os dois principais concorrentes no topo da rejeição do eleitorado tocantinense: Dorinha oscila entre 30,2% (Paraná Pesquisas) e 33% (Quaest), enquanto Vicentinho Júnior varia em patamares próximos de 30% nas duas sondagens.
Registros na Justiça Eleitoral
Ambas as pesquisas cumpriram as exigências legais e encontram-se devidamente homologadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento do instituto Quaest foi registrado sob o número TO-02161/2026 (com nível de confiança de 95%), enquanto a sondagem do Paraná Pesquisas consta registrada sob o número TO-06833/2026 (com nível de confiança de 95%).
Cleber Toledo
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