A região Norte do país deve enfrentar um episódio do fenômeno climático El Niño de intensidade “muito forte” entre os meses de setembro e novembro. A projeção de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas ameaça o abastecimento de água, a navegabilidade dos rios, a economia local e aumenta o risco de incêndios florestais. Diante do cenário crítico, o governo federal realizou na quinta-feira, 27, uma reunião com gestores estaduais e municipais para alinhar planos de prevenção, repasse de recursos e medidas emergenciais.
O alerta foi apresentado durante a segunda reunião regional dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”, coordenada pela Casa Civil. O diagnóstico climático é fruto do monitoramento conjunto de órgãos como Inpe, Inmet, ANA, Cemaden, SGB, Censipam e Sedec, que projetam escassez hídrica e impactos diretos sobre comunidades isoladas e a economia regional.
R$ 173 MI INVESTIDOS
Para mitigar a severidade da seca no transporte e escoamento de insumos, o Governo Federal apresentou um plano que inclui R$ 173 milhões investidos em serviços de dragagem entre 2023 e 2026 nos rios Solimões, Madeira, Amazonas e Tapajós. Na prevenção de desastres provocados por chuvas intensas ou deslizamentos na região, estão previstos R$ 1,6 bilhão via Novo PAC.
160 MIL CESTAS DE ALIMENTOS
A estiagem prolongada traz risco direto ao abastecimento. Para assegurar o consumo básico de comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares), está prevista a entrega antecipada de 160 mil cestas de alimentos, com planejamento de ampliação para mais 350 mil unidades. O governo também monitora estoques de combustíveis (GLP e óleo diesel) para acionar planos de contingência em localidades de difícil acesso navegável.
No setor de saúde, três bases regionais da Força Nacional do SUS (ForSUS) serão instaladas no último trimestre do ano: em Belém (PA), em setembro; Manaus (AM), em outubro; e Porto Velho (RO), em novembro. Além disso, dois Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) operarão em Belém e Santarém para monitorar os impactos de ondas de calor, secas e fumaça na saúde pública.
ÁREA DE QUEIMADA MENOR
Apesar da projeção de agravamento, dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apontam que, entre 1º de janeiro e 23 de agosto de 2026, a área queimada na região Norte foi de 1.644.916 hectares — valor 33,7% inferior à média histórica registrada entre 2012 e 2025 para o mesmo período.
R$ 521 MI A ESTADOS E MUNICÍPIOS
Para conter novos focos durante o pico do El Niño, foram repassados R$ 521 milhões a estados e municípios para ações de prevenção e combate a incêndios florestais. No âmbito federal, a estrutura para 2026 conta com orçamento executado de R$ 1,023 bilhão, 272 bases operacionais, 4.410 brigadistas federais e 49 aeronaves.
SALAS DE SITUAÇÃO
A União orientou prefeitos e governadores a atualizarem seus planos de contingência e organizarem salas de situação locais. Até 21 de agosto de 2026, a Defesa Civil Nacional já somava 199 reconhecimentos de situação de emergência na Região Norte no ano, sendo 23 por estiagens/secas e 176 por enxurradas ou chuvas. O reconhecimento oficial é o canal exigido para a solicitação de recursos adicionais via Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).





