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BILHETE DO CT | Neste 7 de Setembro, a independência está novamente em jogo

Cleber Toledo
Ultima atualização: 2026/09/08 at 9:02 AM
Por Cleber Toledo
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Aos tocantinenses,

O 7 de Setembro não pode ser apenas uma data para assistir a desfiles, levantar bandeiras e repetir palavras bonitas sobre a Independência do Brasil. Independência de verdade não se mede pelo tamanho do mastro nem pelo volume do hino. Mede-se pela capacidade de um país decidir seu próprio destino sem se ajoelhar diante de potências estrangeiras.

E é justamente isso que estará em jogo nas eleições deste ano: a soberania nacional.

O mundo vive uma nova disputa por riquezas naturais, tecnologia, energia e controle dos sistemas financeiros. Nessa batalha, os Estados Unidos procuram conservar sua influência sobre a América Latina e tratam muitas vezes os países da região como meros fornecedores de matérias-primas e mercados para suas empresas.

É uma espécie de colonialismo moderno. Não exige tropas ocupando ruas nem governadores nomeados por Washington. Basta controlar governos, pressionar economias, impor tarifas, interferir em decisões internas e garantir acesso privilegiado às riquezas de cada país.

Onde existe petróleo, aparece a pressão externa. Onde existem minerais estratégicos, surgem propostas de “cooperação” que precisam ser examinadas com muito cuidado. E onde um país desenvolve uma tecnologia pública eficiente, capaz de ameaçar interesses privados estrangeiros, também aparecem questionamentos.

O Brasil possui a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo — atrás apenas da China. Esses recursos são fundamentais para a produção de baterias, carros elétricos, celulares, turbinas eólicas, equipamentos militares e praticamente toda a indústria tecnológica do futuro. Não estamos falando somente de pedras escondidas no solo. Estamos falando de poder econômico, desenvolvimento científico e autonomia nacional.

Os Estados Unidos demonstram abertamente interesse nesses minerais. A questão, portanto, não é saber se o Brasil deve negociar. Evidentemente deve. Nenhum país vive isolado. A verdadeira pergunta é: vamos vender apenas a matéria-prima barata e depois comprar o produto industrializado por um preço muito maior? Ou vamos aproveitar nossas riquezas para desenvolver tecnologia, gerar empregos qualificados e fortalecer a indústria brasileira?

Ser soberano não significa ser inimigo dos Estados Unidos ou de qualquer outro país. Significa estabelecer relações de igual para igual. Significa cooperar sem entregar. Negociar sem obedecer. Dialogar sem aceitar ordens.

O mesmo cuidado precisa existir em relação ao Pix.

Criado e administrado pelo Banco Central, o Pix transformou a vida dos brasileiros. Facilitou o pagamento de contas, ajudou pequenos comerciantes, reduziu custos e permitiu que milhões de pessoas movimentassem dinheiro sem pagar as antigas tarifas cobradas pelos bancos. Tornou-se parte do cotidiano nacional e, por isso, pode ser considerado um verdadeiro patrimônio do povo brasileiro.

O sistema incomoda interesses poderosos justamente porque funciona bem. A investigação comercial aberta pelo governo dos Estados Unidos incluiu os serviços brasileiros de pagamentos eletrônicos entre seus alvos. O Pix passou, assim, a ser tratado como possível obstáculo aos interesses de empresas americanas.

É preciso dizer com clareza: qualquer tentativa de enfraquecer, limitar, privatizar ou subordinar o Pix aos interesses das grandes empresas internacionais deve ser rejeitada. Não podemos permitir que aquilo que funciona para o povo seja desmontado para aumentar o lucro de corporações estrangeiras.

Nesse cenário, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa um risco que não pode ser ignorado.

Flávio, seu irmão Eduardo Bolsonaro e seus aliados apresentam Donald Trump não apenas como parceiro político, mas praticamente como chefe de um movimento internacional. Demonstram uma submissão constrangedora ao presidente dos Estados Unidos, mesmo quando as decisões de Washington prejudicam empresas, trabalhadores e produtos brasileiros.

Eduardo Bolsonaro chegou a atuar nos Estados Unidos em favor de sanções contra autoridades do próprio Brasil e voltou a defender a utilização da Lei Magnitsky contra um ministro do Supremo Tribunal Federal. Não se trata de ignorar possíveis erros de autoridades nacionais. Mas, quando políticos brasileiros procuram uma potência estrangeira para castigar o próprio país e interferir em nossas instituições, isso deixa de ser simples divergência partidária. Torna-se uma questão de soberania. Nossos problemas, nós mesmos temos que resolver, como Nação livre e soberana.

O mais grave é que essa proximidade não parece baseada nos interesses do Brasil. Está baseada nos interesses políticos da família Bolsonaro.

Se uma medida de Trump prejudica exportadores, empresários e trabalhadores brasileiros, mas ajuda o projeto político bolsonarista, eles ficam ao lado de quem? Até agora, todas as demonstrações indicam que ficam ao lado de Trump.

Esse comportamento nos obriga a perguntar: como Flávio Bolsonaro defenderia as terras raras brasileiras numa negociação com os Estados Unidos? Como protegeria o Pix diante da pressão das empresas americanas? Como reagiria a tarifas impostas aos nossos produtos? Defenderia o Brasil ou procuraria não contrariar seu principal aliado político internacional?

A experiência recente da Argentina também precisa servir de alerta.

Javier Milei chegou ao poder prometendo resolver todos os problemas por meio de cortes radicais, privatizações, enfraquecimento do Estado e submissão da política econômica às exigências do mercado. Seu governo obteve resultados em alguns indicadores, mas isso não apaga os enormes custos sociais do ajuste nem transforma o modelo argentino numa receita segura para o Brasil.

Além dos cortes em políticas públicas, a Argentina voltou a aprofundar sua dependência financeira. Em 2025, o Fundo Monetário Internacional aprovou para o país um novo programa de US$ 20 bilhões, equivalente a 479% de sua cota no organismo. Um país excessivamente dependente de empréstimos externos perde espaço para decidir livremente seu orçamento, seus investimentos e suas políticas sociais.

É esse tipo de retrocesso que o Brasil precisa evitar: venda apressada do patrimônio público, destruição de políticas sociais, redução de direitos trabalhistas, submissão ao sistema financeiro e abandono de qualquer projeto nacional de desenvolvimento.

Flávio Bolsonaro poderá tentar apresentar esse caminho como modernização. Mas o Brasil já conhece essa conversa. Primeiro dizem que o Estado precisa ser reduzido. Depois vendem empresas públicas, entregam recursos estratégicos, enfraquecem direitos e deixam o trabalhador pagando a conta. O Estado fica pequeno para proteger o pobre, mas continua enorme para beneficiar os muito ricos.

A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa entre candidatos, partidos ou ideologias. Será uma decisão sobre o lugar que o Brasil deseja ocupar no mundo.

Podemos escolher um país soberano, que dialogue com todas as nações, proteja suas riquezas, desenvolva sua tecnologia, fortaleça sua indústria e utilize recursos naturais para melhorar a vida da população.

Ou podemos retroceder à condição de quintal de uma potência estrangeira, governados por pessoas que confundem parceria internacional com obediência pessoal a Donald Trump.

Neste 7 de Setembro, é bom lembrar que a Independência não foi conquistada de uma vez para sempre. Ela precisa ser defendida todos os dias. Um país pode conservar sua bandeira, seu hino e suas fronteiras e, mesmo assim, perder o comando sobre sua economia, suas riquezas e suas decisões políticas.

Defender o petróleo, as terras raras, o Pix, as empresas brasileiras e nossas instituições democráticas é defender a Independência.

O Brasil não pode trocar sua soberania pela aprovação de Donald Trump. Não pode entregar seu futuro para satisfazer os interesses políticos da família Bolsonaro. E não pode permitir que, mais de dois séculos depois do grito do Ipiranga, uma nova forma de dependência seja vendida ao povo como liberdade.

Neste 7 de Setembro, o verdadeiro patriotismo é simples: o Brasil acima dos interesses estrangeiros e o povo brasileiro acima dos interesses de qualquer família.

Saudações democráticas,

CT

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