(…em continuação do artigo I )
– Ocupação: A vida ocupa todos os reinos. O que chamamos de “vazio” na astronomia é, na visão espírita, preenchido por diferentes gradações de matéria e vida, muitas vezes além do que nossos sentidos físicos podem detectar.
2. A Classificação das “Moradas”. O Espiritismo detalha o que seriam as “muitas moradas” referidas por Jesus, categorizando os mundos conforme o adiantamento moral e intelectual de seus habitantes:
Mundos Primitivos; Onde a vida desperta e os primeiros ensaios de inteligência ocorrem.
Mundos de Expiação e Provas: (Onde a Terra se encontra/transita) Onde o mal ainda predomina, mas o desejo de progresso existe.
Mundos de Regeneração: Estágios de transição onde a alma descansa das lutas intensas, preparando-se para níveis superiores.
Mundos Felizes e Celestes: Onde o bem reina absoluto e a matéria é tão sutil que mal representa um obstáculo ao espírito.
3. A Solidariedade Universal. Enquanto a ciência busca por sinais de rádio (SETI), a cosmovisão espírita propõe uma interdependência espiritual.
Migração de Almas: O conceito de “transmigração” sugere que espíritos podem encarnar em diferentes mundos conforme sua necessidade de aprendizado. Isso conecta a humanidade terrestre à “família universal”.
Planos de Existência: Além dos planetas físicos, as “moradas” incluem as esferas espirituais que circundam esses mundos, criando uma rede complexa de vida que elimina qualquer possibilidade de “espaço vazio”.
Síntese da Convergência. Se para Sagan a ausência de vida tornaria o universo um erro estatístico e poético, e para Jesus as moradas são a promessa de continuidade na Casa do Pai. Para a Doutrina Espírita: O Universo é um campo de educação infinita. A vida inteligente é a “função” que dá sentido à “forma” (matéria). Não há desperdício porque não há silêncio absoluto: onde há uma estrela, há o potencial ou a realidade da vida servindo à evolução da consciência.
Essa visão transforma o medo da solidão cósmica em um sentimento de pertencimento universal. O “Pálido Ponto Azul” de Sagan deixa de ser um grão de poeira isolado para se tornar uma escola entre inúmeras outras no currículo do infinito.
“Gostaria muito de crer que, ao morrer, voltarei à vida. Que parte de mim há de prosseguir: pensando, sentindo, lembrando. Mas, por mais que queira crer, e apesar das velhas tradições que nos garantem que existe um além… não conheço nada que sugira que isto seja mais que ilusão ou desejo. Quero envelhecer junto com minha esposa, Annie, a quem amo muito. Quero ver meus filhos mais novos crescerem e quero participar do desenvolvimento de seu caráter e intelecto. Quero conhecer os netos ainda não concebidos. Há problemas científicos cujas soluções desejo testemunhar – como a exploração de muitos dos mundos em nosso sistema solar e a busca de vida em outros lugares. Quero ver como vão se desenvolver tendências importantes na história humana, tanto promissoras como preocupantes: por exemplo, os perigos e a promessa de nossa tecnologia; a emancipação das mulheres; a crescente predominância política, econômica e tecnológica da China; o voo interestelar. Se houvesse vida após a morte, eu poderia, não importando quando morresse, satisfazer a maioria dessas profundas curiosidades e desejos.
Mas, se a morte nada mais é do que um interminável sono sem sonhos, essa é uma esperança perdida. Talvez essa perspectiva tenha me dado uma pequena motivação extra para continuar vivo.
O mundo é tão primoroso em termos de amor de profundidade moral, que não há motivos para iludir-nos com fábulas bonitinhas, das quais não se tem evidência confiável. A mim parece que seria bem melhor, dada nossa vulnerabilidade, fitar a morte nos olhos. E todo dia ser grato pela breve e magnífica oportunidade que a vida nos dá. (Carl Sagan, Billions & Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of theMillennium).
“Quem tem ouvidos que ouça, quem tem olhos que veja!”
José Cândido Póvoa – Poeta, escritor e advogado.
JOSÉ CÂNDIDO PÓVOA
É poeta, escritor e advogado; membro-fundador da Academia de Letras de Dianópolis.
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