Marco Antônio Gama
Especial para a CCT

A última semana da campanha pelo Palácio Araguaia começou com dois enfrentamentos entre a senadora Dorinha Seabra (UB) e o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) nesta segunda-feira, 19. Pela manhã, os candidatos participaram de debate na TV Norte, afiliada ao SBT. À noite, voltaram a ficar frente a frente na RedeTV, com mediação da jornalista Maju Cotrim.
Na RedeTV, Vicentinho voltou a vincular Dorinha ao atual governo estadual, enquanto a senadora insistiu que pretende manter apenas o que considera positivo e alterar serviços que não funcionam.
Em um embate direto, depois de ser questionada novamente sobre a saúde pública, Dorinha respondeu: “Candidato, eu acho que vou ter que trazer um pincel e um quadro para responder, trazer você para a escola da Professora Dorinha. Eu não disse que tudo está bem.” Em seguida, completou: “Eu não tenho compromisso com continuidade de nenhum serviço que não está funcionando”.
Saúde concentra um dos embates mais duros

Vicentinho manteve a saúde como principal linha de ataque. Citou problemas no HGP, nefrologia, hemodiálise, pagamentos a prestadores e retomou o caso de medicamentos encontrados vencidos em depósito estadual. “Nós temos que ter a competência, mas, mais do que tudo, a empatia humana de entender que não está dando certo. Não está dando”, afirmou.
Dorinha reconheceu que há espaço para mudanças e defendeu descentralização dos serviços, melhoria dos hospitais existentes, novas unidades e maior cooperação com os municípios.
O Servir também entrou no confronto. Vicentinho criticou dificuldades enfrentadas por servidores para atendimento na rede credenciada. Dorinha defendeu a manutenção do plano, prometeu melhorias e disse que pretende ampliar o acesso para contratados temporários e nomeados.

Educação: concursos, creches e tempo integral
Na educação, Vicentinho falou sobre a promessa de 50 escolas de tempo integral e concursos públicos mais frequentes, defendendo que o Estado avalie a necessidade de novos certames em intervalos de até dois anos. “A construção da escola precisa colocar lá dentro o saber, e um saber executado por uma professora e um professor valorizado”, disse.
Dorinha discordou da fixação de prazo rígido e defendeu regularidade conforme a necessidade de pessoal. “A gente não precisa marcar prazo, a gente precisa definir a regularidade. Tem necessidade, vamos chamar”, respondeu.
A candidata também prometeu apoiar municípios na construção de creches, investir na formação dos professores e ampliar a educação profissional.
Dorinha anuncia Prato Cheio; Vicentinho reforça hospitais regionais

Entre as propostas apresentadas à noite, Dorinha anunciou o Prato Cheio, programa de restaurantes populares e cozinhas comunitárias em parceria com os municípios, com aquisição de alimentos de produtores locais. Ela também propôs ampliar o Cartão AlimenTO para até 28 mil famílias, com benefício de R$ 250, além de ações de qualificação e crédito para mulheres.
Vicentinho voltou a defender a descentralização da saúde, com hospitais regionais em Taguatinga, Divinópolis e Luzinópolis, conclusão das unidades de Gurupi e Araguaína e implantação de hospital em Porto Nacional.
Provocações sobre quem será governador
O debate teve também trocas mais leves. Ao perguntar sobre saneamento, Dorinha questionou o que Vicentinho faria “a partir do dia 6 de janeiro”. Ele aproveitou: “Pelo visto a senhora já se convenceu que a partir de 6 de janeiro o governador é Vicentinho Júnior”.
Mais tarde, Dorinha devolveu: “Eu posso até organizar um café para que o candidato possa conversar com o Wanderlei. Mas a partir de 6 de janeiro é a Dorinha governadora.”
Nesta reta final, os confrontos em debates ao vivo indicam que Vicentinho tenta transformar a eleição em julgamento da atual gestão, especialmente nas áreas de saúde, segurança e impostos. Já Dorinha procura se apresentar como continuidade apenas do que considera positivo, reforçando que pretende mudar serviços que não funcionam e administrar com autonomia própria.





