Há uma pergunta que precisa ser feita a cada tocantinense:
Onde queremos estar em 2050?
Parece uma pergunta simples, mas dela depende o futuro de uma geração inteira.
Recentemente, li um artigo sobre a extraordinária transformação econômica da Índia. Um país que, há poucas décadas, era lembrado pela pobreza, pela superpopulação e por enormes desafios estruturais, hoje ocupa posição de destaque na economia digital mundial.
Enquanto boa parte do planeta ainda mede riqueza pelo tamanho das fábricas, a Índia descobriu que o maior patrimônio de uma nação está entre as orelhas de seu povo.
Hoje exporta inteligência.
Exporta tecnologia.
Exporta software.
Exporta engenharia.
Exporta inovação.
Exporta conhecimento.
E isso produziu um superávit de centenas de bilhões de dólares apenas na economia digital.
Mas o número mais impressionante não aparece nas estatísticas.
O verdadeiro milagre indiano foi cultural.
Eles decidiram pensar grande.
Construíram um projeto nacional de 25 anos.
Definiram metas.
Prepararam sua juventude.
Criaram infraestrutura digital.
Integraram universidades, empresas e governo.Enquanto muitos discutiam o presente, eles passaram a construir o futuro.
Foi exatamente nesse momento que pensei no Tocantins.
Somos um dos estados mais jovens do Brasil.
Temos localização estratégica.
Somos líderes no agronegócio.
Produzimos alimentos para o mundo.
Temos uma das maiores reservas de água doce do planeta.
Somos ricos em energia.
Possuímos um patrimônio ambiental incomparável.
Temos potencial turístico extraordinário.
Temos universidades, institutos federais, empreendedores e uma juventude criativa.
Então por que ainda pensamos pequeno?
Talvez porque ainda estejamos presos ao modelo econômico do século passado.
Continuamos discutindo apenas estradas, indústrias, incentivos fiscais e infraestrutura física.
Tudo isso continua importante.
Mas já não é suficiente.
A riqueza do século XXI nasce da inteligência.
Nasce dos dados.
Nasce da inovação.
Nasce da criatividade.
Nasce da tecnologia.
Hoje um jovem sentado em Palmas pode desenvolver um software utilizado em Londres.
Uma startup instalada em Gurupi pode vender inteligência artificial para empresas do Canadá.
Um pesquisador de Araguaína pode prestar consultoria para produtores rurais da Austrália.
Um designer de Porto Nacional pode trabalhar para uma empresa japonesa.
O mercado deixou de ter fronteiras.
O mundo inteiro tornou-se cliente.
É exatamente por isso que acredito que o Tocantins precisa construir um projeto chamado Tocantins 2050.
Não um programa de governo.
Mas um projeto de Estado.
Uma visão capaz de sobreviver às eleições.
Uma estratégia construída por universidades, empresários, produtores rurais, prefeitos, Assembleia Legislativa, Governo do Estado e sociedade civil.
Precisamos definir quais setores liderarão nosso crescimento nas próximas décadas.
Vejo pelo menos oito grandes frentes capazes de transformar nossa economia.
A primeira é a economia digital, formando milhares de jovens programadores, desenvolvedores, especialistas em inteligência artificial, cibersegurança e análise de dados.
A segunda é o AgroTech, tornando o Tocantins referência mundial em agricultura de precisão, drones, sensores inteligentes, biotecnologia e gestão agrícola.
A terceira é a bioeconomia, agregando valor à biodiversidade do Cerrado e da Amazônia tocantinense.
A quarta é a energia limpa, aproveitando nosso enorme potencial em energia solar, biomassa e hidrogênio verde.
A quinta é a logística, transformando nossa posição geográfica no maior corredor de integração entre Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A sexta é o turismo inteligente, utilizando tecnologia para promover ao mundo o Jalapão, o Araguaia, a Ilha do Bananal, as Serras Gerais, o Cantão e tantas outras maravilhas naturais.
A sétima é a educação tecnológica, preparando crianças e jovens para profissões que ainda nem existem.
E a oitava é a internacionalização do Tocantins, criando uma política permanente para atrair investimentos, empresas globais e parcerias estratégicas.
Durante muitos anos imaginei que desenvolvimento significava apenas construir obras.
Hoje acredito que a maior obra pública que um governo pode realizar é desenvolver pessoas.
Nenhuma rodovia produz riqueza sozinha.
Nenhum aeroporto cria inovação sozinho.
Nenhuma ponte gera conhecimento.
São as pessoas que fazem isso.
A Índia compreendeu essa verdade.
A China também.
A Coreia do Sul fez o mesmo.
Israel transformou conhecimento em riqueza.
Singapura tornou-se potência sem possuir recursos naturais.
Todos tinham algo em comum.
Planejamento.
Educação.
Tecnologia.
Visão de longo prazo.
O Tocantins também pode.
Talvez não devamos perguntar quanto custará construir esse futuro.
Talvez devamos perguntar quanto custará continuar adiando essa decisão.
Porque os estados que liderarão o Brasil nas próximas décadas não serão necessariamente os mais ricos.
Serão aqueles que conseguirem transformar inteligência em desenvolvimento.
O futuro não espera.
Ele apenas escolhe quem teve coragem de construí-lo.
O Tocantins tem tudo para ser protagonista dessa nova economia.
Falta apenas decidir.
E toda grande transformação começa exatamente assim:
Com uma decisão.
TOM LYRA
Foivice-governador, secretario estadual da Indústria, Comércio e Serviços e atualmente é presidente da Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR).





