Marco Antônio Gama
Especial para a CCT

A campanha de Laurez Moreira (PSD) reuniu na tarde desta sexta-feira, 25, em Palmas, integrantes do primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reforçar a ligação da chapa tocantinense com o governo federal. Participaram da coletiva o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e Eutália Barbosa, secretária-executiva do Ministério das Mulheres. A agenda havia sido anunciada como parte da mobilização de apoio a Laurez e ao candidato ao Senado da coligação, Paulo Mourão (PT).
Realizado no Casarão da Vitória, comitê de Laurez na 110 Sul, o encontro antecedeu uma mobilização prevista para Taquaralto e foi utilizado pelo grupo para associar a eleição estadual às políticas do governo Lula. A estratégia de Mourão de se apresentar como candidato ligado diretamente ao presidente já vinha sendo trabalhada ao longo da campanha e ganhou novo reforço com a presença dos ministros.
Fernanda Machiaveli foi explícita ao tratar da finalidade política da visita. Segundo a ministra, a presença da comitiva no Tocantins ocorria “a pedido do presidente Lula” para manifestar apoio ao grupo. “O presidente Lula está ao lado do povo do Tocantins. Ele apoia Laurez para governador e apoia Paulo Mourão para senador”, declarou.
Programas sociais e agricultura entram no centro do discurso
Paulo Mourão usou sua manifestação para estabelecer diferenças entre o campo político ligado a Lula e os adversários nacionais. Citou Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), políticas educacionais e programas voltados às famílias de menor renda, além de criticar a flexibilização de armas e o crescimento das apostas esportivas.
Na avaliação do candidato, a presença dos ministros representa também uma discussão sobre qual modelo de governo será adotado no Estado. Mourão sustentou que programas federais movimentam recursos na economia tocantinense e defendeu maior integração entre União e Estado.
Eutália Barbosa concentrou a fala principalmente nas políticas voltadas às mulheres. Citou creches, educação em tempo integral, igualdade salarial, autonomia econômica e divisão das responsabilidades de cuidado como medidas que, segundo ela, têm impacto direto na redução das desigualdades.

A secretária-executiva também entrou na discussão sobre mudanças na jornada de trabalho. “O outro lado tenta dizer para a classe trabalhadora que, se reduzir a jornada de trabalho, vai quebrar a economia. Isso é mentira”, afirmou. A defesa da jornada 5×2 e do fim da escala 6×1 também integra a agenda política e sindical realizada em Palmas nesta sexta-feira.
Fernanda, por sua vez, direcionou parte da manifestação ao agronegócio e à agricultura familiar. Citou crédito rural, assistência técnica, formação de estoques e abertura de mercados durante o governo Lula e argumentou que a eleição de aliados nos estados e no Congresso facilitaria a execução de políticas federais.
A ministra também fez críticas ao governo anterior e ao campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As afirmações foram apresentadas em contexto eleitoral e refletem a posição política da integrante do governo Lula.
Wellington Dias defende integração entre Brasília e Tocantins
Wellington Dias adotou um discurso voltado principalmente à relação entre os governos estadual e federal. Segundo o ministro, a eleição de Laurez permitiria maior integração com Brasília em áreas como saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais.
“Essa integração com o Laurez governador e Lula presidente permite abrir mais espaço para investimento naquilo que o Tocantins precisa”, afirmou.
O ministro também defendeu Paulo Mourão para o Senado, destacando sua experiência política e administrativa.
O candidato ao Senado, Osvaldo Neto (PSOL) também participou do encontro e foi citado durante manifestações de Mourão e Wellington. Nas falas disponibilizadas da coletiva, porém, os pedidos mais diretos de apoio feitos pelos representantes do governo federal se concentraram em Laurez e Paulo Mourão.
Laurez mira pequeno produtor e endurece críticas ao governo estadual

Laurez aproveitou a presença dos ministros para reforçar uma das linhas que vem adotando na campanha: a defesa de maior atenção aos pequenos produtores.
Segundo o candidato ao governo, o Tocantins apresenta resultados expressivos em soja, milho e pecuária bovina de grande escala, mas ainda depende de outros estados em cadeias como aves e suínos. O candidato atribuiu parte dessa dificuldade à falta de assistência técnica e ao acesso limitado dos pequenos produtores ao crédito.
“O Estado precisa de um governador que compreenda a política que o presidente Lula tem feito, que é de colocar o crédito na mão do pequeno produtor”, disse.
Laurez também defendeu o fortalecimento da extensão rural e afirmou que pretende ampliar parcerias com o governo federal. Ao citar sua passagem pela Prefeitura de Gurupi, relembrou projetos habitacionais e creches executados em parceria com administrações petistas e prometeu adotar modelo semelhante no Estado.
A manifestação ficou mais dura ao tratar da atual gestão. Laurez classificou a corrupção no Tocantins como “galopante” e acusou o governo estadual de utilizar estruturas políticas e recursos públicos de forma inadequada. As acusações foram feitas pelo candidato durante a coletiva e, nas informações disponibilizadas, não foram acompanhadas da apresentação de provas específicas. “Nós vamos mudar o padrão da política do Estado do Tocantins, fazer com que cada centavo que entrar no cofre público seja um tijolo na construção do desenvolvimento do nosso Estado”, declarou.





