O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) procurou o coronel Márcio Barbosa (UB) para manifestar insatisfação com a decisão dele de abandonar a campanha de Dorinha Seabra (UB) e apoiar Vicentinho Júnior (PSDB) no 2º turno das eleições para o Palácio Araguaia. Os dois conversaram por áudios, que já ganharam as redes sociais.
LIBERDADE NA PMTO E CONVITE AO REPUBLICANOS
Wanderlei Barbosa destacou o apoio e liberdade que deu à Márcio Barbosa nos dois cargos que ocupou na Polícia Militar (PMTO), o Comando Geral e chefe da Casa Militar, e revela que o convite ao coronel para ingressar no Republicanos foi para ser uma opção de vice na chapa da senadora Dorinha Seabra ou disputar para Câmara Federal, mas que o próprio coronel optou pelo União Brasil por temer ficar na 2ª suplência.

MESMO ASSIM, GOVERNADOR ESTEVE NA CAMPANHA
Apesar disto, o governador destaca a participação em duas reuniões do coronel Barbosa durante a campanha – uma delas sendo representado pela primeira-dama, Karynne Sotero -, algo que foi dado apenas a Fábio Vaz e mais um candidato que não teve o nome citado. Wanderlei destaca que familiares também o apoiaram.
“Você pode fazer de tudo, menos me faltar com respeito, que eu nunca te faltei. Sempre trabalhei com você como homem da linha de frente. Você não teve sucesso em nenhum dos seus projetos, aí você quer descarregar em alguém porque quer ir para um outro lado em uma negociata escusa, que deve ser por uma promoção, novos projetos para frente. Então, deveria assumir isso e não querer transformar a nossa relação.
Wanderlei Barbosa
NÃO RETRIBUIU A LEALDADE
O governador Wanderlei ainda reforça que coronel Barbosa não conseguiria refutar a ‘lealdade’ que demonstrou durante “todo o mandato” ao dar “prestígio” e levar o militar para as “posições mais importantes”.
“O Brasil é um país democrático. Se quiser ouvir outras forças, escute, mas não jogue a mim, não externe a mim, uma coisa que você está fazendo. Você não tem este comportamento de lealdade que eu tive com você”
Wanderlei Barbosa

TRABALHO OSTENSIVO CONTRA CANDIDATURA
Em longa resposta, o Márcio Barbosa fez um desabafo para esclarecer e justificar sua decisão de deixar o grupo governista no 2º turno. O coronel pontua que a insatisfação nada tem a ver com o papel que desempenhou no governo como comandante-geral e chefe da Casa Militar, mas sim um isolamento que teria sofrido durante as eleições e sugere até “um trabalho ostensivo” para esvaziar a sua campanha na última semana, direcionando lideranças e secretários para Fábio Vaz (Republicanos) e Ricardo Ayres (Republicanos), estes eleitos.
PRETERIDO PARA VICE PELO PRÓPRIO GOVERNADOR
Na mensagem, Barbosa relembrou o período em que seu nome foi cotado para compor como vice na chapa majoritária. Apesar do convite citado por Wanderlei, o coronel afirma ter sido preterido pelo governador. Segundo o militar, ao retornar após consultar a família, o canal de comunicação já tinha sido foi fechado. “O que a Dorinha me passou é que o senhor falou para ela que eu não seria escolhido”, pontuou.
IDA PARA O UNIÃO TEVE ANUÊNCIA DE WANDERLEI
Sobre a escolha partidária, o ex-comandante ressaltou que migrou para o União Brasil com o aval do próprio chefe do Executivo, por falta de espaço na legenda governista. “Eu não tinha chance nenhuma no Republicanos, e os números dizem isso, eu seria o quinto colocado lá. […] Se o senhor tivesse falado: ‘não, fica no Republicanos, que eu vou te ajudar e te dar condições de lutar de igual para igual’, eu não teria pensado duas vezes”, revela.
“Esses são pontos que a gente precisa deixar bem claro. Não desrespeitei o senhor. E depois que eu fui para a União Brasil, o senhor fechou as portas para mim, isso é fato. Eu não recebi ajuda de um suplente de vereador que o senhor direcionasse para mim. Eu fiquei chateado. O senhor escolheu apoiar o Fabinho [Vaz] e o Ricardo Ayres, que é do partido do senhor. […] Me colocou na geladeira total”
Márcio Barbosa
JULGAMENTO NO TRE E REPASSES DE FUNDO
O coronel Barbosa ainda relatou que a relação se deteriorou ainda mais durante a tramitação do processo de possível “fraude ao instituto da desincompatibilização”, acolhido pelo Tribunal Regional (TRE), mas derrubado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O militar garante que Ricardo Ayres e um secretário estadual “trabalharam nos bastidores para impugnar a candidatura”. “Naquele momento tentei falar com o senhor, o senhor não me atendeu à ligação, mensagem não respondeu”, pontuou. O ex-comandante-geral também cita que ouviu da boca do próprio governador de que teria que ‘priorizar’ os republicanos diante de um fundo partidário de R$ 10 milhões. “Então entendi que ali eu não podia contar mais com o senhor politicamente. E fui para a minha campanha sozinho, sozinho”, lamentou.
“É muito fácil agora apontar o dedo para o coronel e falar ‘ele é traidor, ele é isso, ele é aquilo’. Mas eu é que sei: eu doei minha vida para esse projeto, minha família se envolveu nesse projeto. […] Não vou sair atacando o senhor, a não ser que eu seja atacado, porque vou ter que me defender. […] Eu não vou ficar de traidor quando, na verdade, me tiraram a oportunidade de ser deputado com jogo baixo através de Fabinho [Vaz], Ricardo Ayres e com a estrutura do governo que me atropelou. […] Eu não tinha mais espaço dentro desse grupo e essa foi a minha decisão”
Márcio Barbosa
Áudio do governador Wanderlei Barbosa:
Resposta do coronel Márcio Barbosa:





