Há domingos que parecem iguais a todos os outros. O sol nasce, as ruas despertam devagar, as famílias se reúnem e os sinos chamam para a fé. Mas existem domingos em que a História se levanta cedo, bate à nossa porta e nos pergunta, olhando diretamente nos olhos: para onde queremos levar o Brasil?
Este domingo será assim.
Cada voto depositado na urna carregará muito mais do que a preferência por um candidato. Levará consigo a memória de um país construído pelas mãos dos pobres, mas que, durante séculos, lhes negou quase tudo: a terra, o salário digno, a escola, a universidade, a saúde e até mesmo o direito de sonhar.
O Brasil precisa prosseguir na marcha da inclusão social. Não como favor, caridade ou concessão dos poderosos, mas como reparação pelas explorações e humilhações históricas impostas à maioria de seu povo.
Precisamos escolher um país em que o filho do trabalhador, da empregada doméstica, do pequeno agricultor e da mulher que cria sozinha sua família possa atravessar os portões de uma universidade pública. Um país em que o lugar de nascimento, a cor da pele ou o dinheiro dos pais não determinem o tamanho dos sonhos de uma criança.
Defender a educação e a ciência é defender o futuro. É acreditar na inteligência do nosso povo, no trabalho dos professores, na pesquisa que salva vidas e na universidade que abre caminhos. Cada jovem pobre que conquista um diploma rompe uma corrente antiga e reescreve não apenas a própria história, mas a história de toda a sua família.
Também precisamos votar pelas florestas, pelos rios, pelos povos originários e pelas gerações que ainda virão. Nos quatro anos em que a extrema direita governou o Brasil, o meio ambiente sofreu retrocessos absurdos. A devastação foi tratada como progresso; a fiscalização, como obstáculo; e aqueles que protegiam a natureza, como inimigos.
Mas não existe desenvolvimento sobre terra arrasada. Não existe prosperidade num país que destrói a própria água, incendeia suas florestas e entrega suas riquezas à ganância de poucos.
Neste domingo, votaremos também pela democracia. Ela continua sob risco. Aqueles que atacaram as urnas, ameaçaram as instituições e alimentaram o autoritarismo tentam retornar ao poder. Mudam algumas palavras, ensaiam gestos de moderação, mas continuam carregando o mesmo projeto: enfraquecer as liberdades, perseguir adversários e transformar o Estado em instrumento de um grupo e de uma família.
Votaremos ainda pela soberania nacional. Diante das investidas de Donald Trump e dos Estados Unidos contra o Brasil, a extrema direita escolheu a vassalagem. Em vez de defender nossa economia, nossas empresas e nossas instituições, trabalhou para que a Casa Branca impusesse tarifas ao país e sanções a autoridades brasileiras.
Isso não é patriotismo.
Patriotismo não é vestir a camisa da Seleção enquanto se pede a uma potência estrangeira que castigue o próprio país. Não é beijar uma bandeira enquanto se conspira contra a soberania nacional. Quem age assim não defende o Brasil: defende os interesses privados de uma família, mesmo que, para protegê-los, seja necessário prejudicar milhões de brasileiros.
Eis a bifurcação à qual chegamos.
De um lado, o caminho da civilidade, da inclusão social, da educação, da ciência, da proteção ao meio ambiente, da democracia, da soberania e do verdadeiro patriotismo. Um caminho que não é perfeito nem livre de obstáculos, mas que nos permite avançar, corrigir erros e construir um país mais justo.
Do outro, o abismo escuro: o risco de voltarmos à condição de colônia, de perdermos a democracia e de vermos retornar a fila do osso — aquela imagem dolorosa de um Brasil em que os pobres disputavam restos para enganar a fome enquanto poucos celebravam seus privilégios.
Neste domingo, quando estivermos a sós diante da urna, levaremos conosco os que vieram antes e os que ainda virão. Votarão conosco os humilhados de ontem, os excluídos de hoje e as crianças que herdarão o país resultante de nossa escolha.
Que ninguém diga, depois, que não sabia o que estava em jogo.
Na bifurcação da História, escolha a luz, não a escuridão.
Viva o Brasil!
Viva o povo brasileiro!





