Com o tema “O Tocantins como Fronteira do Meio Técnico – Científico Internacional”, o IV Seminário Internacional Madreplac, em homenagem aos 100 anos de Milton Santos, iniciou na manhã dessa quarta-feira, 28, no campus da UFT de Porto Nacional. O evento, que acontece até sábado 31, traz ao Estado pesquisadores internacionais e nacionais para um intercâmbio acadêmico-científico. Madreplac conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
CALENDÁRIO ACADÊMICO
De acordo com os organizadores, o seminário internacional Madreplac (sigla que significa Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional e Planejamento Territorial na Amazônia e no Cerrado) teve início em 2017 e faz parte hoje do calendário acadêmico de eventos do programa de pós-graduação em Geografia da UFT (PPGG) e dos núcleos de pesquisa articulados. Organizado pelo Observatório de Políticas Territoriais e Educacionais/UFT/CNPq (Opte), este evento é uma bienal que visa à atualização teórica, metodológica e conceitual dos professores e alunos do PPGG, dos cursos de Geografia e demais cursos interessados nas temáticas postas em pauta.
PÓS-GRADUAÇÃO NA UFT
Segundo a professora doutora Erika da Silva Maciel, diretora de pós-graduação da UFT, o evento é importante para a universidade. “Esse evento representa a grandeza da pós-graduação na UFT, realizando a internacionalização e promovendo a formação de alto nível aos seus alunos”.
TRADIÇÃO ACADÊMICO-CIENTÍFICA
Para o coordenador geral do evento, o professor doutor Adão Francisco de Oliveira, o evento firma uma tradição acadêmico-científica na UFT. “Queremos nos colocar no mapa internacional de eventos que tratam a Geografia em sua articulação com o Desenvolvimento Regional e com o Planejamento Territorial. O nosso objetivo é que a Geografia da UFT se torne uma referência no Centro-Norte do Brasil e, quem sabe, para todo o país”.
NOITE CULTURAL
O seminário articula conferências, mesas redondas e grupos de trabalho e contará com uma noite cultural na sexta-feira, 30, na ComSaúde, em Porto Nacional, e encerrará com um trabalho de campo no sábado, 31.
QUEM FOI MILTON SANTOS
Neste ano em que o geógrafo Milton Santos completaria 100 anos, o evento é organizado como um dos oito no Brasil dedicado a este que foi um dos maiores geógrafos brasileiros e internacionais. Nascido na Bahia em 1926 no município de Brotas de Macaúba, Milton, um homem negro de pele preta, filho de pais professores, se destacou desde os estudos ginasiais pelo seu interesse e genialidade.
Graduado em Direito, Milton nunca exerceu essa profissão, tendo se dedicado à correspondência em jornais de notícias e ao magistério universitário, especialmente após a realização de seu doutorado em Geografia na Universidade de Sorbone, na França.
Preso e depois exilado na Ditadura Militar, Milton ensinou em várias universidades pelo mundo afora, especialmente na França e nos EUA. Com a anistia política de 1979, Milton retornou ao Brasil e a partir de 1984 tornou-se professor da USP, onde lecionou até a sua morte, em junho de 2001. Em sua trajetória, desde o final dos anos 1960, Milton Santos foi um dos poucos brasileiros capazes de criar teoria, articulando categorias, conceitos e procedimentos metodológicos gerativos da Teoria do Espaço Geográfico.
Traduzido e lido em vários países do mundo, o geógrafo das teorias dos dois circuitos da economia, da formação socioespacial e do meio técnico, bem como dos conceitos de globalitarismo, tecnosfera e psicosfera foi o único a receber o Prêmio Vautran Lud (equivalente ao Prêmio Nobel em Geografia), além de ter sido homenageado em 20 universidades brasileiras e internacionais com o título de Doutor Honoris Causa.







